domingo, 3 de agosto de 2014

Campos de férias


Os pais queixam-se de não terem respostas para os seus filhos quando estes têm necessidades educativas especiais.
Esta é uma questão que "num plano de direitos humanos e do ponto de vista social e cultural já não é aceitável”, diz Sara Martins, membro da direcção da Dar Resposta e mãe do Guilherme, um jovem de 13 anos com autismo. Embora a oferta para os tempos livres dos mais novos cresça, as férias das crianças com necessidades educativas especiais (NEE) continuam a ser uma realidade à parte. E o problema é "essencialmente cultural", reforça a mãe.
“Há pessoas que acham que entre as necessidades especiais não constam os campos de férias”, diz o psicólogo e docente do IPSA- Instituto Universitário José Morgado, já com experiência de 40 anos em educação inclusiva. Ponto com o qual Sara Martins concorda relembrando que actualmente se assiste “a uma falta de consciencialização de que estas crianças e jovens têm o mesmo direito que os outros a aceder a este tipo de pedidos”, para além do facto de que problemas logísticos nas férias todos os pais têm.
Então, por que têm de perguntar os pais destas crianças se aceitam os seus filhos quando nenhum outro pai o tem de fazer? “A dificuldade da inclusão numa actividade de Verão é proporcionalmente directa à dificuldade que nós, pais, vivemos no reivindicar e fazer valer a inclusão dos nossos filhos noutros contextos”, como por exemplo, na escola, explica Sara Martins.

Armazéns sem inclusão

Ainda assim, David Rodrigues, docente na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa e presidente da Pró-Inclusão – Associação Nacional de Docentes de Educação Especial, relembra que a organização de actividades por parte de associações que lidem com a deficiência é a “comprovação da dificuldade que os pais têm em colocar os filhos em contextos inclusivos”. E esta oferta é a solução que estas entidades encontram para aliviar os pais, acabando por ser, muitas vezes, as únicas hipóteses que têm.
Contudo, chegadas as férias, as famílias continuam a perguntar às organizações das actividades e campos de férias se aceitam os seus filhos e a resposta continua a ser um redondo “não”. Grande parte desta não-aceitação deve-se ao facto de as entidades pensarem tanto numa readaptação do seu plano de actividades como na inclusão de exercícios terapêuticos. E, no exacto momento em que estas mudanças são feitas, a actividade deixa de ser inclusiva.
Poderá ser necessária uma mudança de pensamento, que actualmente já é visível em algumas iniciativas. O jovem Guilherme já esteve num campo de férias onde fez canoagem, slide, rappel e outras actividades. "Se calhar não fez a quantidade de vezes que os outros fizeram, mas houve o cuidado de criar o ambiente propício para que experimentasse. A adequação muitas vezes passa por isto, não passa por ter actividades diferentes”, conta a mãe Sara Martins, dizendo ainda que não se pode esperar que as crianças, com ou sem necessidades especiais, experienciem as actividades da mesma forma.
Vera Fernandes, membro da administração da sede da UPAJE- União para a Acção Cultural e Juvenil Educativa, menciona que nos campos de férias por eles organizados, sempre que possível, estas crianças fazem as mesmas actividades que todas as outras. “Claro que com um maior número de adultos a apoiar as crianças”, acrescenta.

 Por Patrícia Pinto da Silva em  Público,pt

sábado, 2 de agosto de 2014

Meu filho, meu mundo




A fantástica e inspiradora vida de Samahria e Bears Kaufman com a primeira criança recuperada pelo The Son-Rise Program,Raun K. Kaufman

Comportamentos indesejados: como agir

O seu filho gosta de morder ou bater? Veja como a Kate e o Gert nos dão estratégias para melhorar as nossas abordagens no playroom com os nossos filhos!

Jogos para as férias em família

"Na mãozinha esquerda, aquela que está mais perto do coração, brilhava o arco-íris como a querer lembrar que o Menino, cada Menino, é, e tem dentro de si, um tesouro especial e único."
Graça Gonçalves



GOSTARzinho é um jogo de tabuleiro, onde, pelo caminho da afetividade, são abordadas as seguintes áreas: Autoconhecimento, Autoestima e Autoconfiança; Comunicação, Família, Grupo e Amizade; Criatividade, Imaginação e Brincadeira; Emoções e Sentimentos; Decisões, Escolhas e Resolução de Conflitos.
Neste jogo pretende-se, de uma maneira saudável e divertida, ajudar a preparar os caminhos que serão determinantes, na idade das escolhas e decisões, para prevenir os comportamentos de risco. (A partir dos 6 anos)

RECOMENDAÇÕES
Núcleo de Psicologia do Desenvolvimento da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra;
Programa de Promoção e Educação para a Saúde.


À venda aqui

terça-feira, 1 de julho de 2014

Enigma do autismo



Documentário produzido pela BBC. Com um impressionante aumento de 600% em diagnósticos nos últimos 20 anos, o autismo é o transtorno de desenvolvimento que mais cresce no mundo industrializado. A partir de descobertas recentes sobre os efeitos que bactérias intestinais podem ter no cérebro, e graças aos esforços dos pais, ávidos por respostas sobre o comportamento dos filhos, pesquisas científicas começam a investigar uma possível relação entre essas bactérias e o autismo.

O nosso mangerico


No mês dos santos populares decidimos plantar um manjerico por cada menino da nossa sala.
Já tínhamos pintado o vaso de muitas cores, enche-mo-lo de terra , pusemos os manjericos que a Vanda nos deu com muito carinho.
   

Agora resta-nos regar todos os dias para que cresçam rapidamente.
Já cheiram muito bem! Ah um segredo, não se pode cheirar com o nariz. Passa-se com a mão cuidadosamente sobre a planta e depois sente-se o cheiro.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Portugueses criam aplicação que ajuda autistas

 
Dois estudantes universitários criaram uma aplicação móvel de apoio à terapia de crianças autistas e enquanto esta não está disponível lançaram uma plataforma de partilha de informação dedicada ao autismo que chegou já a 33 países.
Em declarações à agência Lusa, um dos responsáveis pelo projeto «Enforcing Kids» explicou que este surge no âmbito de uma cadeira da disciplina de computação móvel, no decorrer de um mestrado. Jorge Santos e Cátia Raminhos estão em mestrados diferentes, ele pelo Instituto de Educação, ela pela Faculdade de Ciências, ambos da Universidade de Lisboa.
Têm disciplinas comuns em algumas cadeiras e foi de um trabalho de computação móvel que saiu um projeto para criar uma aplicação móvel que apoie as terapias de crianças autistas, ajudando os terapeutas no tratamento que fazem e no acompanhamento que dão. «A aplicação está neste momento em fase de testes para pré-distribuição e enquanto essa aplicação está a ser testada para ter uma versão final estável e distribuível estamos a avançar com uma plataforma de informação para esta comunidade, a comunidade do autismo», adiantou Jorge Santos.
Segundo o responsável, a plataforma de informação tem vários níveis de utilização, havendo um que está disponível ao público em geral através das redes sociais facebook e twitter. «Para um público mais especializado, com acesso reservado, temos um blogue que inclui estudos académicos e temos o grupo no Facebook para a partilha de experiências, quer por familiares, quer por terapeutas ou professores», adiantou.
 Ainda em relação à aplicação móvel, Jorge Santos revelou que ela irá servir para apoiar o trabalho do terapeuta ou do adulto que acompanhe a criança. «Não digo concretamente qual é a atividade ou conjuntos de atividades ou a forma como nós damos a volta à situação porque o público saberá quando a aplicação sair», apontou, acrescentando que não há ainda uma data para divulgar a aplicação.
Enquanto a aplicação não sai para o mercado, o projeto "Enforcing Kids" está na plataforma de informação, ligando assim toda uma comunidade à volta de um mesmo assunto. A plataforma é alimentada pelos dois estudantes, que vão colocando informação sobre os diversos estudos que vão saindo, as experiências que vão sendo publicadas, bem como notícias publicadas na comunicação social, desde que estejam nas quatro línguas base: português, inglês, francês e castelhano.
Foi criada em finais de março de 2014 e entretanto chegou já a 33 países. «Temos neste momento pessoas que acedem à página ou fazem parte do grupo que são da América Latina, entre México, Honduras, Costa Rica, temos depois Espanha, França, Malásia, Argélia, Turquia, Egipto, Brasil», exemplificou Jorge Santos. Esta expansão da plataforma, o responsável explica com o facto dos grupos ligados às pessoas autistas terem uma forte ligação entre eles, o que ajuda na comunicação em rede.

O projeto «Enforcing Kids» é apoiado pelo Departamento de Investigação LaSIGE da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, como conta a Lusa.